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sábado, 5 de julho de 2008

Falta Gestão na Saúde?

Todo mundo está assustado com as mortes de crianças na Santa Casa de Belém.
Duvido que você não esteja, eu estou assustadíssimo. Mas o que será que ocorre com a "saúde" neste país?
Qual será o fenomenal erro médico que ocorreu? Já colocaram na cadeia o médico pediatra de Belém?
Percebam que o foco do problema não é este e, a imprensa, assim como a sociedade brasileira já compreendeu, que médico não é vilão, mas sim vitima, embora quem morre não é profissional da área de saúde, mas gente simples, que dá graças a Deus ao conseguir uma vaga hospitalar.
Como será que chegamos a este ponto, que creio ainda não ser o fundo do poço.
Não adianta colocar culpa em um presidente ou nos seus antecessores. O problema é muito antigo e foi crescendo aos poucos, lentamente, sem darmos conta do seu gigantismo e, que quem irá padecer somos todos, sem distinção de credo, raça ou posição social.
Você pode ter até um bom plano de saúde, muito dinheiro e só utiliza serviços particulares, mas se você levar um tiro na rua, bater o carro ou cair um vaso em sua cabeça, quando da sua viagem à praia, você certamente irá para um hospital publico ou "filantrópico", depois poderá ir para o seu preferido, mas o primeiro atendimento certamente será igual para todos, não importa seu talão de cheques.
No inicio era o caos e, quando há aproximadamente 300.000 anos atrás, um humanóide deu a mão para ajudar seu semelhante a se levantar de uma queda, que pode ter causado um ferimento, nasceu ali a solidariedade, surgiu a medicina, claro que não como a conhecemos hoje, afinal a moderna medicina tem pouco mais de 150 anos, mas o conceito sim é muito antigo.
Entretanto no Brasil, não vigorava o caos, mas quando o gerenciamento da prestação de serviço médico foi retirado dos profissionais médicos e passado... a quem?
Quem é o gestor dos serviços de saúde?
Falamos muito nos dias atuais em falta de gestão e concordo plenamente com a afirmação, mas considero que temos um excesso de gestores, gente que não sabe nada de medicina, afinal não somos todos médicos, mas temos muitos, mas muitos gestores, que não querem saber, que não se cercam de médicos, para serem seus auxiliares diretos. O usuário do serviço de saúde é a peça fundamental e mais importante de todo o sistema, ele é quem irá dizer quais seus problemas, dificuldades em acessar serviços e o que quer do serviço, mas é o profissional de saúde, com destaque ao médico, que poderá dar condições, para que o gestor, com conhecimento dos problemas da população e das possíveis soluções técnicas ao alcance dos médicos, para tratar seus pacientes, poderá criar a logística necessária para o atendimento integral da saúde do brasileiro.
Para ser o gestor, não é necessário ser médico, José Serra é economista, mas foi um bom ministro da saúde, mas seu chefe de gabinete e outros assessores diretos eram médicos ou profissionais da área de saúde com grande conhecimento, não só de leis ou programas partidários, mas sim de conhecimento teórico, daquele ensinado nas melhores universidades, não na escola aberta para lucro fácil, ou para trazer prestigio a alguém, mas na universidade comprometida com o ensino a longo prazo, portanto, ensino comprometido com a sociedade brasileira.
Meus amigos, desconfiem dos gestores, que afirmam ser o problema apenas falta de gestão dos outros, este pode ser um dos gestores, que empregam muitos gestores ou daqueles, que não ouviram sua acessória técnica, não nomearam técnicos competentes ou, no caso do governo federal, onde creio que impera a mentalidade de que todos os problemas acabarão, quando existir apenas médicos de família, quem sabe formados em Cuba e, claro ganhando um salário de médico cubano.

Espero que para nós sobre tempo para pilotar um táxi também, mas voltando ao problema dos gestores, que é mais grave nas pequenas cidades e nos hospitais filantrópicos, necessitamos que os médicos participem ativamente da admistração, principalmente dos hospitais filantrópicos, onde atualmente, pessoas até bem intencionadas são levadas a pensar que o médico é o grande vilão, quando na realidade, ele é a solução, ou aquele que sabe a solução, ficando para outros profissionais a incumbência da elaboração da logística necessária para que não ocorra a repetição dos fatos de Belém, que afinal só ganham o noticiário pelo numero de vitimas ser alto em curto espaço de tempo, mas quantas mortes poderiam ser evitadas em PS bem equipados, com gente treinada e experiente?
Não sei você leitor, mas eu acredito, que o espírito de solidariedade deve ser acompanhado de uma equipe treinada e motivada, com todo o equipamento necessário.