Fiquei alguns dias longe do blog, não por opção, mas por necessidade. Mesmo assim procurei visitar os blogs amigos.
Nesta volta, havia varias idéias para um post, mas a urgência e a falta de visão de muitos, obriga-me a retomar um assunto já abordado por mim: saúde, a política de saúde de vários governos e o SUS.
O NE vive hoje um apagão na saúde publica, tudo por falta de planejamento, e pouca vontade de vários governos. O valor dos procedimentos pagos pelo sistema publico é uma vergonha a várias décadas, porém a situação piorou durante o governo Sarney. O tudo pelo social não passou de um slogan.
Passamos por Collor, Itamar, FHC e agora Lula, com poucas mudanças no quadro, nada foi feito para sanar os dilemas e problemas de um sistema que poderia ser perfeito.
Sempre houve reinvidicações localizadas, greves também em alguns locais, mas nada que chegasse ao desespero dos médicos atualmente. Louvo a coragem e o brio dos médicos do NE, que chamam a atenção para os problemas, e tomaram uma atitude que certamente acarretará soluções.
O pedido de demissão dos médicos vinculados ao setor publico, é a maneira correta de mostrar a toda a população que não podemos mais continuar fingindo que não há um bode ou elefante na sala. Os valores ridículos pagos a profissionais, que foram destaque nos bancos escolares do ensino fundamental e médio, passaram em vestibulares concorridos, e estudam a vida inteira, diuturnamente, não condizem com o serviço prestado por estes profissionais.
É lógico que nossos governantes sabem disso, o atual e os do passado, mas todos escondem o problema, empurraram e empurram com a barriga, cortejam os profissionais com migalhas, exigem, exigem o máximo, o que aliás está correto, se o profissional está no serviço publico, ele deve atender sua clientela como a de seu consultório, mas com remuneração adequada.
Juízes e promotores, por exemplo, são profissionais bem remunerados, o médico no serviço publico, tem de receber remuneração próxima a estes profissionais, pois seu serviço é de extrema relevância e alcance, assim como sua responsabilidade com a coisa publica e com a vida de todos os brasileiros é diária, sem distinção de noite ou dia, sem feriados ou férias de sessenta dias.
O trabalho do médico em qualquer parte do mundo é bem remunerado, para que este trabalhe com gosto, dedicando-se a toda a população. O que os médicos estão fazendo é simplesmente, parar de fingir que tudo está bem, que não há problemas a serem corrigidos.
O serviço publico passou a ser um bico, um local para completar a renda, para pagar uma prestação. Está errado, é necessário a correção desta distorção, com revisão dos salários pagos aos profissionais, assim como a revisão das tabelas pagas aos profissionais autônomos. O serviço publico merece os melhores profissionais, os que mais estudam, os que mais se dediquem ao atendimento da maioria da população.
O médico não consegue fazer lobby, como a industria farmacêutica ou fabricantes de equipamentos, que convencem profissionais nos ministérios, sem vinculo com pacientes, que não examinam, não prescrevem e não assistem a população, a incorporar novidades nos atendimentos de alta complexidade, assim como criam legislações para obrigar certos equipamentos, sempre com altos custos, esquecendo-se da principal peça: o trabalho do médico, que é feito junto dos pacientes, não em locais da moda com ar refrigerado, com cheiro de perfume importado. O médico, assim como outros profissionais, trabalham em locais com sangue, suor e sofrimento, e atualmente a única forma de ser ouvido, é largar tudo, virar as costas e cuidar de sua própria sobrevivência, não mais se submetendo, ou deixando-se controlar por burocratas que só enxergam números e estáticas. Estes burocratas nunca foram nos postos de saúde das periferias ou nos pronto socorros lá pelas 2 da manhã, ver como trabalha um médico, que também é pai e deixa mulher e filhos sozinhos, a mercê da violência urbana, sem pespectivas de melhora na sua qualidade de vida.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
TODO APOIO AOS MÉDICOS DO NORDESTE
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