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terça-feira, 22 de abril de 2008

Raposa do Sol: bobagem do governo Lula

"Concordamos com Arthur Virgílio. O general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, errou na forma e acertou no conteúdo. Declarações públicas de militares sobre questões políticas sempre trazem uma carga de tensão, particularmente quando militares direcionam críticas ao presidente da República, a quem devem obediência. Todas as Forças Armadas do mundo estão organizadas tendo com vértice o princípio da hierarquia e quando ela é quebrada podem surgir crises.
Também foi negativa a nota de apoio do DEM ao general Augusto Heleno, que só jogou mais lenha na fogueira, assim como o apoio dado pelo PDT. Tudo isto passa a impressão de que estão de volta as vivandeiras, que no passado prestaram desserviço ao país e estimularam crises militares de proporções graves. Para a democracia, interessa que nossas Forças Armadas continuem mantendo o comportamento que assumiram desde a redemocratização de 1985, voltadas exclusivamente para suas funções profissionais e para cumprir o papel determinado por nossa constituição.
Feitas estas ressalvas, vamos ao problema maior. A criação da reserva Raposa do Sol foi uma enorme bobagem cometida pelo governo Lula. Uma espécie de doença infantil do esquerdismo, como Lenin gostava de afirmar. Lula foi engabelado por Márcio Thomaz de Bastos, então ministro da Justiça, e agora está com um verdadeiro abacaxi nas mãos. Nada justifica a constituição de uma reserva de terras contínuas em uma área de fronteira sensível, onde existem conflitos em países vizinhos. No limite, a criação da reserva põe em risco a própria existência de Roraima como Estado, pois quase 50% de suas terras serão reservas indígenas.
Contra a criação de uma reserva contínua, se levantaram várias vozes, inclusive de membros do governo e de sua base. A própria Casa Militar de Lula na época posicionou-se contrariamente. Não estamos, portanto, entre uma questão entre governo e oposição, mas sim diante de um fato grave que pode comprometer o controle do país sobre o seu próprio território. Isto é tão mais grave quando levamos em consideração que a região amazônica é vulnerável à ação do narcotráfico e outras organizações criminosas.
Este é o motivo da insatisfação militar com a criação da reserva Raposa do Sol. O general Augusto Heleno não é uma voz isolada e suas palavras traduzem o pensamento dos oficiais lotados no Comando Militar da Amazônia. O mesmo pensamento foi expresso também pelo chefe do Estado Maio do Exército Leste e a posição do general foi apoiada membros do Clube Militar. Há, portanto, um contencioso que não será resolvido apenas com o enquadramento do comandante militar da Amazônia.
O quadro é mais grave quando se leva em consideração que a Amazônia é palco de vários conflitos e que há um desaparelhamento das Forças Armadas até para garantir o controle de nossas fronteiras. Basta ler a matéria do Estadão de ontem, segundo a qual apenas 17 soldados tomam conta de uma fronteira de mais de mil quilômetros. Falta tudo, armas modernas e meios de transportes.
Claro que contribui para a insatisfação dos militares a leniência do governo Lula com o desrespeito à lei cometido pelo MST e outros movimentos sociais que atuam na Amazônia. Um prefeito e militantes petistas estimulam e lideram invasões à ferrovia da Vale do Rio Doce e nada acontece com eles. E, pasmem, as ações do MST são respaldadas pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, para quem as ações dos Sem Terra contribuem para a democracia!
A reserva Raposa do Sol é mais gasolina na fogueira. É bom Lula parar de brincar com fogo e encontrar uma solução, antes que novas insatisfações militares venham á luz do dia."

O texto acima é do Pitacos(http://pitacos-politicos.zip.net/), um dos melhores sobre política, em toda blogosfera e, exprime corretamente minha posição.